31 de julho: dia do vira-lata

cão vira-lata

No Brasil, os vira-latas com certeza se tornaram um ícone entre os animais de estimação e são os queridinhos de muitas famílias. Também conhecidos como SRD’s (sem raça definida), os vira-latas não possuem origem genética determinada, resultando na cruza de duas ou mais raças diferentes. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest, a “raça” está presente em cerca de 41% dos lares brasileiros.

Características

Os vira-latas são verdadeiras caixinhas de surpresa! Por não existirem padrões genéticos em suas linhagens, não há como apontar padrões de cor, pelagem, tamanho e temperamento.

Em geral, podemos dividir os vira-latas em quatro categorias: híbridos (com duas raças conhecidas), mestiços (que apresentam traços de uma ou duas raças), funcionais (criados com um propósito específico) e vira-latas de fato, que resultam no cruzamento de várias raças misturadas, sendo este o tipo mais comum encontrado nas ruas.

Devido a essa grande diversidade, as chances de você encontrar dois SRD’s iguais são muito pequenas. Se você busca um animalzinho único e especial, um vira-latatinha com certeza é uma opção interessante para você!

De onde o termo surgiu?

Acredita-se que o nome “vira-lata” tenha surgido devido aos animais de rua que precisam constantemente revirar lixos e latas para encontrar comida. Com o passar do tempo, o termo passou a ser usado de maneira pejorativa, como a expressão “complexo de vira-lata”, criada pelo escritor Nelson Rodrigues, que teorizava um complexo inferioridade sentido pelos brasileiros em relação ao resto do mundo. Entretanto, essa conotação negativa está sendo desmitificada e hoje os vira-latas são a paixão de muitas pessoas.

Os vira-latas são mais resistentes à doenças?

Em partes, sim. Ao contrário de cães de raça, que se reproduzem com indivíduos de genes semelhantes, seguindo um padrão de traços hereditários, os vira-latas possuem alta variabilidade genética. Além disso, boa parte dos SRD’s vêm das ruas, onde somente os filhotes mais fortes conseguem sobreviver, precisando sempre buscar por alimento ou até mesmo lutar por ele.

Entretanto, isso não significa que os vira-latas não fiquem doentes. Como não possuem padrões de linhagem genética ou pedigree, não há como generalizar as características do sistema imunológico ou pré-disposições de cada um. Portanto, assim como em qualquer outra raça, o acompanhamento veterinário é fundamental.

Curiosidades

Por grande parte da população dos SRD’s viverem em situação de rua, o olfato dos vira-latas costuma ser muito aguçado, conseguindo detectar e distinguir diferentes odores, característica desenvolvida para a sobrevivência, os possibilitando encontrar alimentos em sacos e latas de lixo.

Os vira-latas brasileiros são únicos (literalmente). O tipo de vira-latas que conhecemos existem somente no Brasil. Os SRD’s de outros países costumam ter menos misturas, tendo as suas raças traçadas como subdivisões da cruza, como por exemplo: o bassetoodle, cruza entre basset hound e poodle.

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CONQUISTAR UM SONHO DE CURSAR MEDICINA VETERINÁRIA E SE DAR CONTA QUE, DEVIDO AS PRESSÕES, VOCÊ ESTÁ PASSANDO POR SÍNDROMES DE ESGOTAMENTO DA PROFISSÃO É DEVASTADOR.

Lidar com uma nova vida, a de estudante universitário, não é tarefa fácil para a maioria das pessoas. Pressões de provas e as responsabilidades de se morar sozinho pode despedaçar o sonho de se tornar médica veterinária. Para quem já se formou pode ser ainda mais devastador. Pressões dos tutores cada dia mais esclarecidos e exigentes, tanto na prática em clínicas particulares, como em residências, levam a síndromes de esgotamento profissional muito estudadas hoje em dia.

O burnout é uma delas, e é uma síndrome definida por três facetas: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal.

Exaustão emocional resulta do uso de si mesmo como uma ferramenta na solução dos problemas do cliente. O estado de exaustão emocional leva à capacidade diminuída de se conectar com os clientes em um nível emocional.

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A despersonalização é melhor descrita como a desumanização de clientes – quando nossas atitudes em relação a elas e nossa percepção delas são cínicas e insensíveis.

A despersonalização tende a se desenvolver paralelamente ou em consequência do esgotamento emocional.

Por fim, a realização pessoal reduzida é a crença de que o trabalho de alguém não tem um impacto positivo ou não tem significado.

ENTÃO, O QUE É QUE DEIXA MUITOS VETERINÁRIOS “ANSIOSOS” NO TRABALHO E EM CASA?

Muitas vezes, a fonte é externa. O estresse das pressões organizacionais e / ou um ambiente de trabalho difícil pode se manifestar em sintomas emocionais ou físicos – raiva, tristeza, falta de concentração, incapacidade de dormir.

O estresse crônico tem sido culpado pelo ganho de peso, porque o estresse produz cortisol e concentrações elevadas de cortisol podem promover o armazenamento de gordura no abdômen profundo.

Isso pode ser muito frequente logo no início da profissão veterinária, como nos programas de residência veterinária, que possui uma carga horária elevada e grande pressão.

O problema também pode derivar de dentro – da própria natureza de ser uma pessoa interessada em uma profissão de cuidado.

A Dra. Lisa Miller, ex-presidente do Comitê de Bem-Estar da AVMA e membro do corpo docente do Atlantic Veterinary College, da University of Prince Edward Island, observa que existe até um nome para o problema de cuidar dos outros à custa de si mesmo: “fadiga da compaixão”. ”

FADIGA DE COMPAIXÃO

Fadiga de compaixão resulta quando um indivíduo está esgotado de recursos emocionais internos. Pessoas em profissões de cuidado, especialmente aquelas que trabalham em situações de emergência, podem ser vulneráveis.

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“Por causa da natureza carinhosa de nosso campo, alguns de nós praticam nossa empatia ao extremo, em detrimento de nós mesmos”, diz o Dr. Miller. “Se não enchermos nosso ‘balde de empatia’ de vez em quando, acabamos”.

ESCLARECENDO

Ao contrário do burnout, a fadiga da compaixão não é situacional. É trazido em resposta aos pacientes e / ou clientes. Tirar folga ou encontrar um novo hospital para trabalhar não vai curar a fadiga da compaixão com a qual você pode estar sofrendo.

A melhor maneira de combatê-lo é abordar a questão de frente e, muitas vezes, isso significa pedir ajuda. Os assistentes sociais veterinários e os profissionais de saúde mental podem ajudar a aliviar muitos dos sintomas da fadiga da compaixão e iniciar o caminho para a recuperação.

Fadiga de burnout e compaixão pode afetar todos nós de maneiras diferentes e encontrar o remédio às vezes pode parecer impossível.

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Alcançar os outros pode ajudar; falar sobre as maneiras pelas quais superamos esses obstáculos pode ser esclarecedor para os profissionais veterinários que estão reconhecendo que são afetados.

O primeiro passo bem-sucedido no combate ao esgotamento e fadiga da compaixão, no entanto, é aprender as ferramentas para evitá-lo.

Tire um tempo todos os dias para sair da sua cabeça e ter um momento de paz.

Mantenha uma linha aberta de comunicação com seus colegas de trabalho para que o estresse não se acumule. Se não estiver satisfeito com as suas condições de trabalho atuais, altere-as e encontre um novo emprego.

Descanse bastante, não se esqueça de tirar uma folga regularmente e encontrar um equilíbrio saudável entre trabalho e vida.

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Fear Free e Feline Friendly Handling

Você já se perguntou por que tem animais, principalmente os gatos, que ficam extremamente irritados quando vão ao veterinário? Ou com medo e fogem até mesmo do proprietário?

Transportar animais para uma visita no veterinário pode ser muito estressante e irritante para o animal, afetando os parâmetros fisiológicos e dificultando anamnese do veterinário. Pensando nisso e em outros aspectos que vamos citar mais adiante, foram criadas as técnicas “Fear Free” e “Feline Friendly Handling” com o intuito de evitar esse medo e estresse. Essas técnicas não são aplicadas apenas no consultório, mas também na residência desses animais, instruído os proprietários. Certamente que para se ter sucesso é importante conhecer o comportamento do animal, para saber o porquê ele teve essa reação.

A espécie animal que será mais beneficiada por essas técnicas, e a que vamos abordar, é a felina, pois é a espécie que mais demonstra agressivamente ou que altera seus parâmetros normais quando ameaçados ou “encurralados”. Gatos foram sempre predadores e algumas atitudes são desencadeadas por conta desse papel que vem de seus ancestrais. Abaixo nós temos uma imagem que demonstra as principais alterações comportamentais encontradas nos felinos com relação a Aggression (agressividade) e Fear (medo).

Fear Free

Traduzindo ao pé da letra significa “livre de medo”, e é exatamente
isso que essa técnica nos traz. As duas técnicas são utilizadas
simultâneas, pois uma complementa a outra, mais adiante comentaremos a
utilização das duas técnicas. O medo é o principal causador da
agressividade nos gatos, em segundo lugar temo a dor, então o objetivo
desta técnica é realizar um manejo de uma forma que o animal não se
sinta ameaçado evitando o medo ao máximo, como o próprio nome nos diz.

Para se evitar que o animal, por exemplo o gato, esteja “livre do
medo” é importante sabermos os motivos que causam esse medo neles. Os
principais fatores relacionados com essa emoção são movimentos bruscos e
rápidos, se você está estressado com certeza vai passar isso para o
animal, barulhos muito altos ou contínuos, cheiros que estão associados
negativamente, espaços novos com muita informação nova. Outro fator são
as memorias negativas que tiveram em outras visitas e que retornam no
momento que ocorre o “estimulo”, podendo ser o jaleco branco, um cheiro
característico, um objeto, qualquer coisa que faça o animal relembrar
daquele estimulo negativo que teve no passado tornando-o agressivo
agora.

Esses estímulos e causas de medo e agressividade não são específicos
para gatos, podendo ser utilizado em outros animais, mudando apenas
algumas características relacionada com o comportamento de cada animal. A
técnica a seguir já mais específica.

Feline Friendly Handling

Como citamos anteriormente, as duas técnicas “Fear Free” e “Feline
Friendly Handling” são aplicadas simultâneas, tendo uma eficácia maior.
Utilizando os mesmos conceitos a respeito do medo, vistos anteriormente,
a técnica “Feline Friendly Handling” está mais intimamente relacionado
com os felinos, utilizando as características comportamentais
especificas deles, e sua tradução significa “manipulação amigável
felina”, o exemplo mais comum da utilização dessa técnica é no
transporte do animal para o consultório do veterinário e da maneira como
o veterinário irá receber e iniciar a manipulação deste animal. Essa
técnica se inicia na residência do proprietário, antes de levar ao
veterinário, pois é um conjunto de fatores que iram evitar que o animal
fique com medo, estressado, levando a agressividade e consequentemente
tornando difícil a anamnese.

O importante então é demonstrar no momento da anamnese que o gato
está no comando, deixando-o se sentir o mais confortável possível, sem
“forçar” ele a ficar em certar posições e sim fazer ele querer ficar
naquela posição. No momento em que entrar no consultório é importante
abrir a caixa de transporte e deixar o animal explorar o local, com
todas as possibilidades de fugas fechadas. Se mesmo abrindo e esse gato
não sair para explorar não é necessário obrigar, pode-se retirar a tampa
de cima da caixa e realizar o exame físico dentro da mesma.

Referências

RODAN, Ilona. Understanding Feline Behavior and Application
for Appropriate Handling and Management. Cat Care Clinic & Behavior
Consultations for Cats, v. 25, n. 4, p. 178-188, nov. 2010.

AAFP Position Statement. Respectful handling of cats to
prevent fear and pain. Journal of Feline Medicine and Surgery, p.
569-573, mai. 2012. Disponível em:
<https://journals.sagepub.com/home/jfm>. Acesso em: 07 nov. 2018.

AAFP Position Statement. Transport of cats. Journal of Feline
Medicine and Surgery, p. 886-887, mai. 2012. Disponível em:
<https://journals.sagepub.com/home/jfm>. Acesso em: 07 nov. 2018.

AAFP Position Statement. AAFP and ISFM Feline-Friendly
Nursing Care Guidelines. Journal of Feline Medicine and Surgery, n. 14,
p. 337-349, mai. 2012. Disponível em:
<https://journals.sagepub.com/home/jfm>. Acesso em: 07 nov. 2018.