Intensivismo veterinário: saiba tudo sobre esta área

A Medicina Veterinária tem evoluído muito nos últimos anos, novos tratamentos e inovações tecnológicas trazem mais conforto e saúde para os animais, entretanto, o intermédio humano continua sendo primordial. Ainda mais em casos de emergências, quanto mais rápido e eficiente o diagnóstico, somado às facilidades técnicas, mais chances do pet sobreviver. A qualidade nos cuidados aos animais, juntamente com o aprimoramento dos métodos e dos profissionais, criou espaço para a aparição da medicina intensiva, ou de emergência.

A área intensiva da veterinária pode ser bem imprecisa, diferente do atendimento ambulatorial, e por isso o profissional deve ter qualificação e sensibilidade para identificar os mecanismos compensatórios do organismo do paciente, e compreender que uma aparência adequada, pode não corresponder ao seu real quadro de saúde. De tal modo, que as primeiras horas do trauma são primordiais para a recuperação plena, e é justamente nesse curto período de tempo que o profissional deve tomar as medidas, realizar as manobras e executar o tratamento decisivo para a reabilitação do animal, exigindo, então, toda a atenção e monitoração do médico veterinário.

Casuísticas

Os casos mais presentes nas emergências veterinárias são queda, batidas, intoxicação alimentar, diarreias, vômitos, torção gástrica, falta de ar, convulsão e parada cardiorrespiratória, sendo assim, o intensivismo exige do veterinário conhecimento técnicos para atender uma diversidade de ocorrências, realizar exames, procedimentos laboratoriais e de diagnóstico de imagem em um tempo hábil. Além disso, pode ser requisitado o acompanhamento intensivo, nos casos de insuficiência respiratória, dificuldade de evolução no quadro de pós-internação, controle de dor pós-traumas, estabilização de doenças metabólicas, recuperação de cirurgias complexas, indução de coma, controle de estado epilético, assistência de pacientes terminais e outros cenários que possam surgir.

Cuidados ao paciente

A emergência envolve toda ação preventiva, estabilização e suporte ao paciente, visando um desfecho positivo, com assistência integral e contínua do animal em seu período de internamento, quando necessário. Esse monitoramento regular previne futuras perdas e agravamento de cenário, sendo decisivos para reverter quadros clínicos graves, o atendimento rápido e eficiente de um pet em estado de emergência é essencial.

Dessa forma, o profissional que atua em emergências (sofrimento intenso e risco iminente de morte) e urgências (acidentes casuais, com ou sem risco à vida) deve estar pronto para realizar múltiplas intervenções emergenciais, sendo bem treinado, é capaz de utilizar melhor os recursos e equipamentos disponíveis, com excepcional eficiência, melhorando as condições de cuidado e garantindo os melhores resultados.

Panorama do intensivismo veterinário

O intensivismo está em contínuo avanço e se mostra cada vez mais importante na rotina, é um campo complexo e requer atualização constante dos conhecimentos multidisciplinares do médico, foi desenvolvido com o estreitamento dos laços entre os animais domésticos e os seres humanos, priorizando a qualificação e agilidade do veterinário em tratar o companheiro do homem. Por essa razão, é uma área em crescimento, em clínicas, hospitais e prontos-socorros, que visam amparar o paciente e equipar o profissional com informações precisas, que auxiliem no correto diagnóstico e estabilização do quadro, e está propensa a contratação, em razão do déficit em especialistas que promovem um atendimento personalizado e capilarizado, ocasionando associação entre especialidades veterinárias, tutores e animais.

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O crescimento do mercado veterinário no Brasil

Atualmente o mercado veterinário tem se mostrado cada vez mais presente na economia, não só no Brasil, mas também em escala mundial.

 Segundo dados do IPB (Instituto Pet Brasil), COMAC (Comissão dos Animais de Companhia), Abinpet (Associação Brasileira de Animais de Estimação) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nosso país cresceu de maneira exorbitante no decorrer desta última década em relação ao mercado pet mundial, provocando um forte balanço na economia e gerando mais oportunidades para empreendedores e veterinários que trabalham com clínica e cirurgia de animais de companhia.

Neste artigo abordaremos uma série de dados que mostram este crescimento e daremos alguma dicas de como você, veterinário, pode se beneficiar com estas novas tendências.

Mas o que causou este crescimento?

Uma das características mais marcantes do século XXI é o processo de envelhecimento populacional que estamos vivenciando globalmente. No Brasil, não é diferente. Devido a uma série de fatores econômicos e sociais, pessoas estão tendo cada vez menos filhos.

Em contraposição, o número da população de animais de estimação cresce notavelmente. Hoje, os pets ocupam uma posição importante na estrutura familiar, tornando-se um pilar importante neste meio. É cada vez mais comum vermos estes animais deixando de ocupar apenas os quintais e passando a conviver diretamente conosco dentro de nossas casas, sendo considerado por muitos como um membro da família.

Os animais tornaram-se a companhia perfeita para aqueles que optam por não ter filhos e precisam de “alguém” para afastar a solidão e prover afeto.

Os números por trás desta tendência

Segundo dados levantados pelo IBGE em 2018, hoje temos uma população correspondente a 139,3 milhões de animais domésticos no Brasil. A espécie predominante ainda são os cachorros, seguidos por aves e gatos.

No total, foram contabilizados 54,2 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de pequenos mamíferos e répteis. Estes números indicam um aumento de 5,2% na população de animais domésticos em relação a 2013, quando o último levantamento havia sido feito pelo IBGE, contabilizando 132,4 milhões de animais.

Dentre todos os animais citados, o maior destaque fica para os gatos, que obtiveram um aumento populacional de 8,1% desde 2013.

Segundo a Abinpet, hoje o Brasil abriga a 2ª maior população de animais domésticos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que lideram o ranking.

Mercado pet

Com o crescente aumento da população de animais de companhia, a comercialização de serviços relacionados a pets também acompanha este movimento . Hoje temos mais de 40 mil petshops espalhados pelo Brasil e outros serviços como funerais, adestramento e centros recreativos para animais (popularmente conhecidos como “creches”) tornam-se mais comuns.

Com o maior acesso à informação que temos hoje, tutores buscam cada vez mais por serviços que ofereçam cuidados para o seu animal de estimação. Portanto, ainda há um leque com muitas possibilidades a serem exploradas neste setor.

Segundo a Abinpet, em 2018 o Brasil obteve um faturamento de R$ 20,3 bilhões no mercado pet, 9,8% a mais que em 2017 e com previsão de aumento para o fechamento de 2019.

Atualmente o Brasil possui o 2º maior mercado pet do mundo, com 6,4% de participação, ficando atrás apenas para os Estados Unidos, com 50%.

Esses número são promissores não somente a empreendedores que já possuem ou desejam abrir um novo negócio na área, mas também para veterinários, já que cerca de 68% desses locais exercem atividade mista, ou seja, possuem clínica ou consultório integrados com o petshop.

Atual panorama da graduação em medicina veterinária

O médico veterinário exerce uma importante função em meio à estes índices de crescimento do mercado e da população de animais. A profissão vem se tornando cada vez mais almejada e aos poucos é entendida pela sociedade como um importante fator para a manutenção da saúde única, sabendo que o cuidado com a saúde animal reflete diretamente na saúde humana.

Segundo dados providos pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, hoje o Brasil é o país com o maior número de veterinários ativos, tendo mais de 80 mil profissionais.

Este número tende a continuar crescendo, pois atualmente temos cerca de 5 mil recém-formados ingressando no mercado de trabalho todos os anos e aproximadamente 190 instituições que oferecem a graduação em medicina veterinária.

Clínica de pequenos

Dentre todas as área contempladas pela nossa profissão, a clínica de animais de companhia ainda é o estereótipo mais comum quando se imagina um médico veterinário. Este ponto de vista não é totalmente errôneo, considerando que mais da metade dos formandos decidem trabalhar com clínica de pequenos animais.

Como é de se esperar: quanto maior o número de profissionais atuando no mesmo setor, maior será a concorrência. Entretanto, são promissoras as expectativas para quem deseja iniciar sua carreira neste setor do mercado veterinário.

O surgimento de novos empregos na área da saúde veterinária é consequência do constante crescimento do mercado e da população pet. De acordo com uma pesquisa realizada em 2018 pela COMAC, os gastos com tratamentos de saúde para animais domésticos atingiram 11,9 bilhões e com tendência de aumento para o fechamento de 2019.

A mudança no perfil dos tutores e como isso nos influencia

Devido ao fácil acesso à informação que temos hoje, os proprietários de animais domésticos vêm se tornando mais conscientes quanto à posse responsável. Um exemplo disso é que nos últimos 4 anos a porcentagem de animais castrados saltou de 39% para 56%, segundo estudos realizados pela COMAC. 

Em poucas palavras: os tutores vêm se tornando cada vez mais preocupados em manter seus animais saudáveis, com qualidade de vida e longevidade.

Pode-se dizer que o “tutor moderno” está se tornando cada vez mais exigente na busca por um médico veterinário, almejando profissionais que possam atender a todas as necessidades de seu pet com o mesmo nível de excelência e profissionalismo que ele esperaria se estivesse buscando um tratamento de saúde para si mesmo.

Importância das especializações no mercado vet

Hoje, as especializações são vistas como um diferencial no mercado de trabalho veterinário, entretanto, a tendência pela busca de profissionais melhor qualificados é algo que irá persistir no decorrer dos próximos anos. No futuro de nossa profissão, ter uma pós-graduação será praticamente uma exigência para quem deseja ingressar no mercado, principalmente na área de pequenos, onde o maior número de veterinários está agrupado.

Uma opção interessante para quem está saindo da faculdade são os programas de residência veterinária pós-graduações. Neles, o recém-formado poderá sentir na prática como é a real rotina de um médico veterinário e ao mesmo tempo estar sob supervisão de professores, podendo assim iniciar sua carreira com maior segurança no trabalho.

Conclusão

Mesmo em meio à crise, os índices do mercado veterinário/pet não pararam de crescer nos últimos anos. De modo amplo, podemos dizer que são otimistas as expectativas para o futuro de nossa profissão, levando em consideração todas as mudanças que estão ocorrendo e a valorização do médico veterinário na sociedade.

Assim como citamos anteriormente, as especializações se tornarão cada vez mais um fator definitivo para aqueles que querem seguir carreira na área clínica de pequenos. Portanto, se você está cogitando fazer veterinária ou está em formação, isso é um assunto importante para se pensar.

Esperamos que as informações contidas neste artigo puderam ser úteis para lhe dar um panorama atual sobre a nossa profissão. O crescimento da medicina veterinária no Brasil é algo que está acontecendo através de profissionais apaixonados que buscam sempre dar o melhor de si para proporcionar qualidade de vida aos seus pacientes. Vista o seu jaleco e vamos juntos contribuir cada vez mais para a evolução da medicina veterinária em nosso país!

Fontes: SidanIPBComacAbinpetGazeta do PovoIBGE e Bio Brasil.

Como me tornar um especialista em clínica cirúrgica?

Já não é novidade que os tutores estão se tornando cada vez mais exigentes quanto os profissionais que prestam serviços veterinários para os seus animais. Por isso, as especializações estão sendo cada vez mais almejadas por médicos veterinários por todo o Brasil.

Entretanto, você sabia que os termos “especialista” e “especializado” não remetem ao mesmo significado?

Apesar de terem uma certa semelhança, diante do regramento ético aplicável ao profissional médico-veterinário, o uso indevido do título pode até mesmo resultar em infração ética-profissional.

Mas afinal de contas, qual é a diferença entre “especialista” e “especializado”?

As especializações são programas de aprimoramento profissional da categoria latu sensu, podendo se enquadrar em residências, pós-graduação e especializações propriamente ditas.

Com exceção da residência, que possui uma carga horária de mais de 5 mil horas, as demais especializações e MBA’s brasileiras devem conter no mínimo 350 horas, segundo as diretrizes do MEC. Entretanto, todas buscam o aperfeiçoamento do profissional médico veterinário, até o ponto de o mesmo considerar-se especializado na área.

Mesmo depois de ter concluído um programa de especialização, para apresentar-se com especialista é necessário se submeter à prova de especialista do CFMV.

“O termo “especialista” na medicina-veterinária é um título conferido pelo CFMV por intermédio de entidades que cumprem os requisitos em resolução que trata sobre especialidades veterinárias (Res. CFMV 935/2009), e aquele que pretende obter o título de especialista deve se submeter a prova elaborada por uma dessas entidades habilitadas pelo CFMV (Resoluções do CFMV noticiam quais entidades estarão credenciadas).”

Para fazer a prova pelo título, o profissional precisa ter completado curso de especialização com carga horária mínima de 400 horas teóricas e 100 horas práticas em no máximo 36 meses. Além disso, também é necessário apresentar um memorial documentando o desempenho em funções específicas na área pelo prazo mínimo de 5 anos.

Após a condecoração, o título é válido pelos próximos 5 anos, em que o médico veterinário deverá comprovar que permanece atualizando-se na área de atuação.

O CFMV permite que cada profissional tenha até duas especializações, sendo as reconhecidas pelo órgão: Higienistas de Alimentos, Radiologia, Oftalmologia, Patologia, Cardiologia, Clínica Médica de Pequenos Animais, Acupuntura, Dermatologia, Oncologia, Medicina Veterinária Intensiva, Cirurgia Veterinária, Anestesiologia, Homeopatia, Medicina Felina e Medicina Veterinária Lega.

Mas caso eu não tenha feito a prova, como devo me apresentar?

O termo correto para quem participou de um programa de especialização, mas não se submeteu à prova do CFMV é “especializado”.

O Código de Ética Médico-Veterinário prevê como infração ética o profissional que se anunciar especialista sem ter atendido aos requisitos exigidos pelo CFMV (Art. 8º, XIV Cód. Ética), além da possibilidade de infração ética por atrair clientela de modo desleal (Art. 10º,V Cód. Ética), já que ao anunciar seus serviços como especialista pode atrair público com interesse na especialidade declarada, mesmo que não reconhecida pelo Conselho Federal.

E como fazer para obter o titulo de especialista em clínica cirúrgica?

Para que um médico veterinário se torne especialista é necessário que este seja reconhecido por uma instituição de classe responsável pela titulação, seja uma associação ou um colégio nacional, por exemplo. Na clínica cirúrgica o título de médico veterinário especialista  é concebido pelo Colégio Brasileiro de Anestesiologia e Cirurgia Veterinária.

Para isso, além da prova, o pleiteante deverá ter uma série de pré-requisitos, dentre eles:

– Ser médico-veterinário e possuir inscrição no CRMV há pelo menos 02 anos
– Ser membro do CBCAV há pelo menos 01 ano

Para inscrição o candidato deverá enviar:

– Comprovante de pagamento de inscrição no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais) em nome do CBCAV. Banco Itaú, Agência 6186/ Conta corrente 08283-7

– Formulário de solicitação de inscrição.

– Fichas comprobatórias de procedimentos realizados.

Para os candidatos a especialista em cirurgia veterinária:

– Fichas cirúrgicas de 50 procedimentos operatórios (optar por pequenos ou grandes animais).

– Atestado de supervisão das fichas apresentadas por membro especialista do CBCAV.

– Declaração de ciência

– Curriculum vitae (Plataforma Lattes) com comprovação e pontuação mínima de 100 pontos na área preterida

– 01 Cópia autenticada do diploma de graduação e do CRMV. Diplomas de mestrado, doutorado e especialização também precisam ser autenticados.

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Fontes: JusBrasilCBCAV.