Alimentos tóxicos para animais que você tem em sua casa

Sabemos que há uma grande variedade de alimentos tóxicos para animais de companhia, alguns deles encontrados e consumidos diariamente em nossas casas. Neste artigo faremos uma breve introdução ao tema, citando alguns dos principais alimentos com potencial toxicológico para nossos pets.

A humanização de animais

Os animais de estimação estão cada vez mais se tornando membros da família, deixando de ocupar somente as áreas externas de nossas casas e estando cada vez mais próximos dentro das residências.

Essa transição aconteceu através de um processo de humanização, que até o momento, com certeza foi benéfica para os peludos. Hoje, a maioria dos animais domésticos possuem vidas confortáveis estando sob tutela de tores carinhosos que se preocupam cada vez mais com o bem-estar de seu pet.

A alimentação dos animais domésticos também passou por vários processos de melhoria, com rações capazes de suprir as necessidades alimentares de cada animal conforme suas características fisiológicas. Entretanto, por falta de informação ou até mesmo negligência, muitos tutores ainda fornecem alimentos inadequados para seus animais.

Algumas comidas consumidas frequentemente por seres humanos são alimentos tóxicos para animais. Estas intoxicações são consideradas casos clínicos emergências, tendo em vista que não há antídoto ou medicação específica que seja capaz de inibir estas reações.

A seguir falaremos sobre a intoxicação por cebola, cacau e uva, alimentos consumidos normalmente em nossas dietas.

Cacau (Theobroma cacao)

Imagem: pixabay

Consumido em forma de chocolate, o cacau é uma das vinte causas mais comuns de envenenamento, segundo a National Poison Control Center da ASPCA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animails). Esta intoxicação acontece muito mais em cães do que em gatos, que possuem hábitos alimentares mais restritos do que o de cães e não se apetecem  pelo sabor doce do chocolate.

Mecanismo tóxico

O princípio tóxico ativo do cacau é teobromina (uma metilxatina no café e em chás). A dose letal de varia de 100 a 200mg/kg para cães e gatos. Fatores como tamanho do animal e tipo e quantidade do chocolate ingerido também determinam o grau de toxicidade. Em geral, chocolates amargos possuem um nível maior de teobromina por terem em sua composição quantidades maiores de cacau.

Por ser uma base com alta solubilidade, a teobromina é absorvida com facilidade e se espalha rapidamente por todo o corpo. Enquanto presente na corrente sanguínea, afeta o sistema nervoso central, coração e rins. Quando ingerida em grande quantidade, causa a contração de vasos cerebrais e dilatação de vasos periféricos e artérias coronárias, causando taquicardia.

Sinais clínicos e diagnóstico

O diagnóstico pode ser dado pela anamnese ou achados clínicos. Dentre os sinais clínicos estão: vômito, diarreia, incontinência urinária, taquicardia, arritmia, inquietação, ataxia, convulsões, espasmos musculares e coma.

Até o momento não existem antídotos específicos para a intoxicação por teobromina. Recomendando-se a terapia de suporte para pacientes intoxicados. Para a descontaminação gastrointestinal: indução à emese, administração de carvão ativado e agentes catárticos. Dependendo do caso, a lavagem gástrica também pode ser indicada. Para a terapia cardiovascular, é indicado o controle de arritmias e correção da alteração ácido-base e reposição e manutenção fluidoeletrolítica.

Cebola (Allium cepa)

Imagem: pixabay

Assim como as demais variedades da família, como alho e cebolinha, a cebola é reconhecida como um dos principais alimentos tóxicos para animais.

Na maioria das vezes, a intoxicação por cebola ocorre em cães através da ingestão de sobras de alimentação humana. Em gatos a intoxicação é mais rara devido ao paladar restrito da espécie, mas também estando sujeita a acontecer.

Mecanismo tóxico

A ingestão resulta em uma deficiência do sistema antioxidante, causando desiquilíbrio entre memoglobinas e hemoglobinas, responsáveis pelo transporte de O2 no sangue, resultando na peroxidação lipídica, causando destruição celular e o surgimento de corpúsculos de Heinz (alteração da membrana do eritrócito por agente oxidante).

Sinais clínicos e diagnóstico

O diagnóstico pode ser dado pela anamnese ou nos achados clínicos. Dentre os sinais clínicos estão: letargia, dificuldade respiratória, hematúria com odor característico de cebola, anorexia, fezes amolecidas, taquipneia, taquicardia, mucosas azuladas, vômito e escurecimento da urina.

Existem duas condições para intoxicação por cebola: crônica e aguda. Em condição crônica o animal apresentará anemia hemolítica com formação de corpúsculos de Heinz. Já na aguda, o animal apresentará metemoglobinemia grave, resultado na diminuição de hemoglobina, causando apatia, hipotermia, cianose e até mesmo a morte.

Até o momento não existem antídotos específicos para a intoxicação por cebola, devendo ter o tratamento focado no suporte para os sinais apresentados. Em quadros graves de anemia recomenda-se a transfusão sanguínea. Para hipovelemia e choque é indicada a fluidoterapia.

Uva (Vitis vinífera)

Imagem: pixabay

As uvas são a fruta mais cultivada no mundo, e assim como os outros dois alimentos citados anteriormente, também é encontrada com facilidade dentro de nossas casas.

Mecanismo tóxico

É comprovado empiricamente que a fruta apresenta forte potencial toxicológico para cães, entretanto, seu mecanismo de ação ainda não foi elucidado.

Sinais clínicos e diagnóstico

O diagnóstico pode ser dado pela anamnese ou nos achados clínicos. Os sinais da intoxicação aparecem entre 6 e 24 horas, se manifestando através de vômito, diarreia, dor abdominal, anorexia, letargia e anúria/oligúria.

Não há antídoto específico para a intoxicação por uva. O tratamento deverá focar no suporte aos sintomas apresentados, incluindo a indução à emese, uso de carvão ativado e lavagem gástrica. Além disso, recomenda-se fluidoterapia agressiva por pelo menos 48 horas para suporte da função renal. 

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PodCast #11 – Live – Serviço de Reprodução de Animais de Companhia – Mv. Prof. Luiz Guilherme

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Data: 18 de Setembro de 2020.

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PodCast #10 – Live – Cuidados de Enfermagem ao Paciente em Internamento – Mv. Prof. João Amadio

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 Mv. Prof. João Amadio
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Duração do podcast: 1 hora e 02 minutos e 27 segundos.
Data: 28 de agosto de 2020.

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9 de setembro: dia do médico veterinário

A prática da medicina veterinária já é conhecida desde os primórdios da humanidade. A arte de curar animais é descrita no “Papiro de Kahoun” (encontrado no Egito em 1890), indicando procedimentos de tratamento ocorridos há 4000 anos a.C. em diversas espécies de animais.

No código de Hammurabi, ditado em 1700 a.C, também é possível encontrar referências às tarefas e remuneração atribuídas aos “curandeiros de animais”.

No Brasil

No Brasil, o interesse pelas ciências agrárias surgiu somente em 1875, quando D. Pedro II visitou a Escola Veterinária de Alfort, na França. Ao retornar da viagem, o imperador tentou proporcionar recursos para a criação de uma instituição semelhante no país. Entretanto, somente no século XX, sob regime republicano, foi criada a primeira instituição de ensino da medicina veterinária, a Escola de Veterinária do Exército, em 06 de janeiro de 1910, na cidade do Rio de Janeiro.

Prédio da Escola de Medicina Veterinária do Exército, no Rio de Janeiro. Hoje desativado.

Apesar da primeira faculdade brasileira de medicina veterinária ter sido fundada em 1910, somente em 9 de setembro de 1933, pelo decreto nº 21.133, Getúlio Vargas, o até então presidente da república, normatizou e regulamentou as condições de trabalho do médico veterinário em todo o território nacional, o que marcou o dia 9 de setembro como dia do médico veterinário.

35 anos após a regulamentação foram criados os conselhos regionais e estaduais de medicina veterinária através da lei 5.517, entidades perseverantes até os dias de hoje.

De toda a equipe VeteduKa – feliz dia do médico veterinário para todos os MV’s do Brasil!